Irregularidades atingem maioria dos condutores de transporte escolar no interior cearense


A situação dos motoristas do transporte escolar no Ceará acende um alerta: a maioria ainda não atende às exigências para atuar no serviço. Dados atualizados até maio de 2026 mostram que apenas 42% dos condutores estão aptos, enquanto 58% apresentam algum tipo de irregularidade.

As informações fazem parte do painel “Transporte Escolar no Ceará”, ferramenta do Ministério Público do Estado que acompanha as condições da frota nos 184 municípios. Ao todo, foram contabilizados cerca de 6.749 motoristas no último ciclo de vistorias do Detran. Desse universo, aproximadamente 2,8 mil estão regulares, enquanto cerca de 3,9 mil não compareceram às inspeções, estão com documentação vencida ou não concluíram o processo obrigatório.

Além disso, uma parcela dos profissionais foi reprovada nas avaliações: pouco mais de 9% dos motoristas não atenderam aos critérios exigidos durante as fiscalizações.

Os dados também mostram uma piora recente. Entre fevereiro e maio deste ano, o índice de aprovação caiu de pouco mais de 45% para cerca de 42%. No mesmo período, aumentou o número de motoristas com vistoria vencida — passando de 17% para mais de 20%. Já a taxa de reprovação também subiu, indicando persistência de falhas no cumprimento das normas.

Entre os principais problemas identificados está a falta da habilitação adequada. Para conduzir transporte escolar, é obrigatório ter carteira na categoria D, além de curso específico, exame psicotécnico aprovado e ausência de infrações graves ou gravíssimas recentes.

As exigências seguem diretrizes do Ministério da Educação, que também recomenda verificar o histórico dos condutores antes da contratação, incluindo referências e situação junto aos órgãos de trânsito.

A preocupação não é apenas burocrática. Casos de imprudência reforçam os riscos, como registros de estudantes sendo transportados de forma insegura. Especialistas apontam que o motorista deve atuar como agente de proteção, garantindo a segurança dos alunos durante todo o trajeto.

Por outro lado, municípios com melhores índices costumam investir em capacitação contínua, manutenção da frota e organização do serviço. Nesses locais, há maior controle sobre a qualificação dos profissionais e condições dos veículos.

A fiscalização envolve diferentes órgãos, como Polícia Rodoviária Federal e Detran, que também realizam ações educativas e treinamentos. Desde o início do ano, mais de 200 veículos escolares já foram abordados em operações voltadas à segurança.

As inspeções fazem parte de uma política de acompanhamento contínuo, que exige vistorias semestrais tanto dos veículos quanto dos motoristas. O objetivo é reduzir riscos e garantir um transporte mais seguro para estudantes em todo o estado.

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