12 espécies estão em perigo de extinção no Ceará, diz SEMA em divulgação de “Lista Vermelha”

Uma parceria da Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), da academia e outras instituições da sociedade civil, no âmbito do Programa Cientista Chefe Meio Ambiente resultou na criação da “Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da Fauna do Ceará”. Em um primeiro momento, a divulgação será exclusivamente sobre mamíferos terrestres, mas, posteriormente, outras listas serão feitas, como a de mamíferos aquáticos, que deve ser a próxima, e também aves e répteis.

Foto: Divulgação/SEMA

Os pesquisadores envolvidos na produção do documento declararam que há certeza de que pelo menos duas espécies já foram extintas no estado, sendo elas a anta (Tapirus terresitris) e o tatu-canastra (Priodontes maximus). Porém, há a possibilidade de existirem outras quatro extinções: a da onça pintada (Panthera onca), do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), do queixada (Tayassu pecari) e das populações nativas de bicho-preguiça (Bradypus variegatus).

O documento demonstra também que alguns animais que sequer estão ameaçados nacionalmente, se encontram em estado crítico para extinção no Ceará. Ao todo, são 12 espécies em perigo e 8 em estado vulnerável. Porém, em cerca de 17% dos animais analisados não se pôde encontrar informações suficientes, ou seja, o número de espécies ameaçadas pode ser ainda maior.

Para a criação da lista de mamíferos terrestres houve o envolvimento de 18 instituições e mais de 30 pesquisadores, que analisaram mais de 120 espécies em cinco rodadas de audiências. O projeto foi coordenado pelo professor Hugo Fernandes da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e contou com o apoio das comunidades acadêmicas nacional e internacional, de órgãos ambientais, ONGs e da sociedade civil.

De acordo com o professor Luís Ernesto, coordenador do programa Cientista Chefe Meio Ambiente da SEMA e da Semace, a importância da lista se dá pelo conhecimento da situação de cada espécie analisada, possibilitando a implementação de políticas específicas voltadas tanto para a conservação dessas espécies, quanto para a proteção dos seus habitats.

Esta é a primeira vez na história que o Ceará contará com uma lista de animais ameaçados de extinção. De acordo com a SEMA, até o final de 2022, o documento estará completo. “Isso vai permitir que possamos focar as políticas públicas de conservação naquelas espécies que merecem uma atenção mais urgente”, afirma o professor Luís Ernesto.

Ele explica ainda que entre os principais fatores para a extinção estão a perda de habitat e, em alguns casos, a caça. “A perda de habitat, que consiste na degradação do meio em que essas espécies vivem, é o principal problema enfrentado por esses animais. Dessa forma, é preciso que cada vez mais políticas públicas de proteção sejam executadas”, detalha.

O coordenador do programa Cientista Chefe Meio Ambiente também afirma que a população pode auxiliar na conservação das espécies, ao tornar-se consciente da importância da preservação. “A população pode ajudar nessa conscientização sendo transmissora de conhecimento e servindo de exemplo para os demais a partir das duas próprias ações”, pontua.

Por Yasmim Rodrigues

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